sábado, 13 de dezembro de 2008

Um estrelace quase perfeito, numa tarde gélida de Dezembro.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

três meses de encontros

Take my heart, and wring it out.In Your hands and watch it all collapse.Take Your Love, and drive it in.Into my soul, and never leave again.Cuz I am so afraid.That I’ll find myself alone.Looking for a savior, looking for a home.I am so afraid.That I’ll find myself alone.Lookin for a savior, Lookin for a home.So don’t leave me here alone.Don’t leave me here alone.All Your hope, and all my pride.All this time to watch it all collide.When everyone seems to say,“You can work it out”.Under my skin, I’m shaking.And I can’t get out.So don’t leave me here.This is not what You said.It’s all in my head.When I throw my anger at you instead.So don’t give up on me.I want to believe .That You’ll never leave me.But I am so afraid .That I’ll find myself alone.Lookin for a savior, lookin for a home.I am so afraid.That I’ll find myself alone.Deep into the ages, deep into the foam.I am so afraid .That I’ll find myself alone.Lookin for a savior, lookin for a home.So don’t leave me here alone.Don’t leave me here alone.

Bebo Norman


Às vezes acredito mesmo que não há coincidências.

Há uns dias descobri esta relíquia numa das prateleiras cá de casa. Encafuado por detrás de uns livros, à minha espera, estava O Retrato de Dorian Gray, a terceira edição, que custou vinte escudos. E digo que estava à minha espera porque as folhas ainda estavam fechadas, como era costume antigamente, para comprovar que o livro não tinha ainda sido usado. Folheei as páginas com um enorme cuidado, pois parecem folhas de árvore secas de Outono, quebradiças e amareladas. O cheiro é intenso, um cheiro que me lembra o escritório de casa dos meus avós, a papel velho. E por pensamento mágico achar que este livro estava destinado a mim, comecei-o a ler ontem. E sabe tão bem voltar a sentir aquele anseio por chegar a casa e estiraçar-me no sofá a ler uma história envolvente que nada tem a ver com os livros da faculdade...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Cinco dias

sem olhar, sem tocar, sem fazer guerras de lambidelas na cara, sem ser pegada e revirada como uma bonequinhas pequena e leve, sem risos compulsivos originados por cócegas, sem ameaças de "olha que eu te magoo", sem mordidelas, sem calor e cansaço das brincadeiras que nos fazem parecer duas crianças, sem ver aquele sorriso que me enche os olhos e que me derrete. Cinco dias é tempo demais. Pus-me a caminho e voltei a sentir-me viva outra vez. Só contigo, oh!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Três dias depois, estou totalmente rendida ao meu desenho na pele. A minha joaninha, imaginada e desenhada por mim, não podia ter mais a ver comigo. O sitio, as cores, as sete pintinhas, tudo como eu queria. Tem significado e é isso que a torna especial. Estou contente por ter cumprido um dos objectivos que tinha para este ano e de a ter feito nesta altura, em que o meu coração está assim colorido como a joaninha. Impulso com determinação, que está em mim para sempre.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Enfeitada a casa, feita a árvore de Natal e montado o Presépio, apercebemo-nos que faltava o menino Jesus. Está perdido e ainda não o encontrámos.

domingo, 7 de dezembro de 2008

tatuei-me


Eu e a D., ontem.
Foi de impulso, porque muito de mim funciona assim.
7 pintinhas.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

consumismos III

Ir ao colombo quatro dias seguidos e com planos de ter de lá voltar amanhã outra vez. Começo a asssustar-me.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

consumismos II

ir ao Colombo três dias seguidos...
Recordo a voz na música. Sem querer, juro. A guitarra, a harmónica, o piano, tudo invade o meu espaço. As letras deslizam devagarinho e tentam entranhar-se, ao de leve, mas eu já sei os truques, protejo-me e sigo em frente. Porque há mudanças em mim.

consumismos

Dezembro entrou e com ele veio o frenesim das compras. Para mim, claro, que só agora pôde começar. Mas por pouco tempo, porque a faculdade não me dá muita margem de liberdade. A tarde de hoje foi passada encafuada no centro comercial com a D., a entrar e a sair das lojas de mãos vazias e eu com a minha pouca paciência, já caracterísica, sem saber o que oferecer à minha mãe e a ele. Acabámos por nos "perder" na secção das crianças a experimentar lacinhos, bandoletes brilhantes e pirosas e gorros de tamanhos pequenos que cabiam perfeitamente nas nossas cabeças. Compras semi-feitas e nenhuma sensação de satisfação por não ter encontrado o presente perfeito para "aquela" pessoa. Valeu-me um livro comprado para mim, uma agenda para me organizar e um lacinho piroso, pois claro.

sábado, 29 de novembro de 2008

Troco mil "amo-te" por um "gosto de ti".

Cansei -me de promessas eternas e de palavras cheias de vazio.

Ontem saltei por cima de poças de chuva. Andei de braço dado e abraçada debaixo de um chapéu-de-chuva minúsculo numa Rua Augusta quase deserta. Molhei-me e molhei por ter ataques de riso enquanto segurava o chapéu. Fui de uma ponta a outra da cidade enroscada no braço esquerdo e com dedos entrelaçados. Ri e fui chamada à atenção por estar a falar alto, tantas vezes, que perdi a conta. Cheguei a casa com os cabelos encharcados, com o corpo húmido da chuva que molhou o casaco, mas com o coração a ferver de contentamento.

Um sábado carregado de chuva, cinzento, que me permitiu ficar enfiada no sofá a trabalhar o dia inteiro sem me sentir tentada a passear, sem me fazer sentir tentada a mandar tudo para trás das costas. Doem-me os olhos e as pontas dos dedos e de repente parece que o inglês é a minha primeira lingua. Continua a fartar.

Modigliani, o filme


É a catarse.
Outra e outra vez.
Lágrimas.
Lembranças.
Mas cada vez mais distantes...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

coisas

O meu sobrinho pediu para o Natal uma pen drive, para poder transportar os trabalhos que faz em computador. Isso fez-me voltar atrás no tempo e relembrar-me com a idade dele. Com 9/10 anos fazia os meus trabalhos à mão, com caneta de tinta permanente azul, de carga pequena. O texto era escrito em folhas brancas, com esforço da minha mão pequena para que as palavras não ficassem inclinadas para cima ou, então, com linhas feitas a lápis, ao de leve, que eram apagadas depois de estar tudo escrito e com a tinta seca. Usávamos mata-borrão e alguns de nós sujavam os dedos com a tinta por pegarem mal na caneta. Como as coisas mudam em tão pouco tempo...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008


Esta foi a minha mudança.

O que irá acontecer depois, logo se vê.
Agora pensar já não importa. Já é tarde de mais.

O tempo passa, é inevitável. Às vezes tão devagar que dá a impressão de estar a mergulhar num buraco escuro e vazio, sem nunca chegar ao fim, sempre suspensa por fios de nylon tão finos que basta um pequeno gesto para se quebrarem e cair a uma velocidade alucinante, com um ar tão denso e quente à minha volta que quase corta a respiração, que arranha as narinas ao inspirar e que sufoca na garganta. Outras vezes passa a correr. Dou por mim desnorteada, sem me conseguir orientar no tempo, a achar que o ontem se fundiu com o hoje e que as horas se reduziram a segundos. É quando o sorriso não se desvanece, é quando o coração se ouve a bater no silêncio. O tempo traz mudanças, sempre. Sejam elas catastróficas ou quase imperceptíveis. Podem começar numa pequena ruga que fica mais vincada nos cantos dos lábios ou a meio da testa ou na perda ou ganho de algo realmente significante. A mudança, seja ela qual for, assusta, mas não a podemos impedir de se manifestar. Assusta, magoa, mete o dedo na ferida, ou então afaga-nos a cabeça e ajuda-nos a seguir em frente. Às vezes muita mudança não traz nada, outras vezes, traz quase tudo. Ou, pelo menos, traz um pormenor que muda tudo.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

hoje, no autocarro

senhora cigana: "(...) hoje em dia há mánica de lavar roupa, mánica de lavar loiça (...)"
...

filho: "primeiro, segundo (...) vigésimo."
mãe: "sabes como se diz trinta? trigésimo"
filho: "e quarenta?"
mãe: "quatragésimo, depois cinquagésimo, seixasésimo, setagésimo (...)"

terça-feira, 25 de novembro de 2008


Quando o meu olhar brilha assim quando estou aninhada em ti.
Quando me rio sozinha na rua e sou olhada de lado pelas pessoas apressadas enquanto caminho devagar porque estou cheia de ti em pensamentos.

É porque estou sim. E muito. Por ti.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Penso em ti nos entretantos e nos durantes do que faço e do que não faço.

domingo, 23 de novembro de 2008

Domingo

Passado em casa e em pijama, a acabar trabalhos da faculdade, a preparar a semana que vem, e a não conseguir passar aulas a limpo porque a impressora, para variar, não imprime. Ainda tive tempo para fazer umas fatias douradas, sonhei que as estava a comer e acordei com vontade de concretizar o sonho. Soube mesmo bem. Soube a Natal. O sol esteve brilhante, lá fora, mas agora que já está a descer a luz incide directamente nos meus olhos, atravessando o vidro das janelas que têm as cortinas arredadas, mas não me apetece mudar de lugar.

sábado, 22 de novembro de 2008

oh

Hoje perguntei-lhe desde quando é que tínhamos esta “ligação” ainda sem nome. Não sei se foi desde o primeiro dia em que nos vimos e que colocou a cabeça no meu colo a pedir cafuné, se foi da primeira vez que me roubou um beijo ou se foi na tarde do abraço catártico que durou minutos e minutos. O que eu sinto é que a empatia foi imediata, ou quase imediata, e isto comigo é raro acontecer. Passei de tardes e dias seguidos a defender os meus sentimentos de escudo em punho e a fugir, literalmente, agarrada à minha mala, para tardes aninhada nele, a ver filmes e de dedos entrelaçados. Gosto do que estamos a construir aos poucos. Gosto da não pressão, dos não rótulos, dos sentimentos que estão a crescer sem pressa. Gosto das gargalhadas no ouvido das argolas iguais nas nossas orelhas do sorriso fantástico que me faz derreter dos olhos pestanudos que fazem comichão na minha bochecha do Oh! da pele que se arrepia com o meu toque das mãos dadas na rua da expressão quando finge que dorme de enterrar a cara no pescoço do cheiro do cabelo castanho claro de percorrer o dedo da testa até ao queixo de despentear o cabelão de embirrar dos beijinhos nos olhos fechados da veia do pescoço das covas no final das costas dos pés entrelaçados de pegar em mim como se eu fosse um pinypon de morder os ombros largos do sinal no dedo da cicatriz igual à minha no indicador direito da preocupação dos abraços dos abraços dos abraços onde me sinto pequenina e com um sorriso gigante de olhos fechados.

Reclamo, eu sei. Mas depois acabo sempre por me aperceber de que, afinal, gosto de fazer. Gosto de pesquisar na biblioteca, de subir aos bancos e esticar-me para tirar, do meio de centenas de livros às cores, aquele livro de que preciso, folheá-lo e dar-me gozo por ter encontrado precisamente o texto que me dá jeito. Levar uma pilha de livros nos braços para a reprografia. Chegar a casa, ler (em inglês claro, por as traduções são escassas) o que fotocopiei e sublinhar a cor-de-rosa o que sei que é importante. A partir do momento em que digito a primeira frase invade-me um prazer enorme, vontade de continuar durante horas e o que acontece é que muitas vezes me esqueço de comer. Dou por mim sentada no sofá, enrolada na manta e banhada em textos e em livros, que se espalham pela metade do sofá desocupada, pelo chão e pela cadeira aqui perto. Nos primeiros tempos de faculdade a minha mãe ainda reclamava com a desarrumação, eram mais suspiros e revirar de olhos do que palavras, mas agora já não diz nada, já percebeu que não vale a pena, que é este o meu método, que sou incapaz de trabalhar e de estudar no meu quarto. Porquê, não sei.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Aninhada num metro e noventa de corpo quente e carregado de carinho, senti-me protegida e mimada como não me sentia há anos. Uma noite inteirinha até quase acordarmos o sol, embrulhados em conversas sérias que serviram para esclarecer muita coisa e para me aperceber de outra tanta. Não sei o que está para vir e se tento pensar nisso aflige-me. Fico com medo e com dúvidas, como sempre. Tento que seja sempre um instante a seguir ao outro, sem as pressões do costume. Entristeço-me por, agora, não estar capaz de aproveitar esta fase de modo eufórico como deveria ser, como eu acho que mereço sentir e como acho que ele merece que eu o faça sentir.