quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Hoje passei por uma escola secundária aqui perto da minha casa. Vi miúdos a correr, de mochilas às costas, a rir, a brincarem uns com os outros e a comer gomas enquanto o autocarro não aparecia. Deu-me saudades dos meus fins de tarde no liceu, do início dos anos do liceu, depois das aulas, em que íamos à loja das gomas comprar melões (ainda hoje tenho o cheiro daquilo entranhado no nariz) e os tubinhos com gelatina encarnada lá dentro e ficávamos a conversar ali perto, sem preocupações em ter de ir para casa estudar. Ou em que saíamos, já quase de noite e que íamos pelo caminho aos tropeções, agarrados uns aos outros a rir e a gozar com tudo e com todos. Bolas, tudo passa tão depressa!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Estou cansada.

Cansada de não poder acordar mais tarde sem sentir remorsos, cansada de não poder estar na rua sem olhar para as horas e contar os minutos que posso despender sem estar agarrada aos livros, cansada de só ver o meu namorado duas vezes por semana mesmo morando mais do que perto um do outro, cansada de estudar desalmadamente dias inteiros e não conseguir sentir que isso está a ser útil, cansada de não ter ido aproveitar ainda os saldos, cansada de me sentir culpada por desviar a atenção por dois minutos dos livros que tenho à minha frente, cansada por não poder acompanhar mais presentemente a [quase] recta final da gravidez da minha irmã, cansada da pressão de ter de fazer tudo bem feito porque nunca me habituei a falhar. Cansada. Sobretudo cansada. E canso-me a mim própria e provavelmente os outros.

dentro da barriga [XVII]

Já disse que o meu sobrinho mexe muito muito muito e que sempre que posso estou agarrada feita doida à barrigona da minha irmã, que me pede com ar de clemência "por favor não o acordes".

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

terceira frequência

Já saio a rir do auditório.
Mas afinal como querem eles que eu aprenda a matéria, se não a dão nas aulas?!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ir dormir por obrigação.

Shake your head girl, with your ponytail

Takes me right back [when you were young]


[David Bowie - If There is Something]

domingo, 11 de janeiro de 2009

É tão necessário, por vezes, permanecer na ignorância.

ex-key-west

O acaso levou-me ao sítio onde tenho evitado ir há cerca de dez meses. Completamente às cegas, cliquei e entrei no tal sítio. Enganada. O nome já não é o mesmo, mudou. Quando, não sei. E se eu soubesse que tinha mudado não tinha clicado. Se eu soubesse de quem era o sítio não tinha sequer pensado duas vezes e tinha ignorado. O coração acelerou e as bochechas ficaram quentes durante todo o tempo que percorri rapidamente os olhos pelos textos novos. Não li todos, nem sequer li os recentes. Na verdade acho que nem sequer li um inteiro. Fiquei-me pelo meio de um ou de dois textos, do início de Agosto [quando eu ainda vivia iludida], onde fala de estórias de manhãs de ronha, de rotinas de café e de cerejas. Acho que captei mais do que deveria ter captado e desconfio que até me confirmou algumas dúvidas. E isso é que magoa. O sentir-me enganada, magoada, desrespeitada. O tal "remexer" do passado ainda custa um bocadinho, principalmente quando evito a todo o custo lidar com isso, o que faz com que o choque seja ainda maior quando embato de frente com ele, sem fazer qualquer esforço por isso. Muito pelo contrário. Quero viver o meu presente com toda a intensidade, com toda a dedicação, com tudo aquilo de bom que mereço e que estou a receber. E é isso que vou continuar a fazer.

sábado, 10 de janeiro de 2009




















Quiet.

parabéns

MÃE

dentro da barriga [XVI]

Senti e senti tão bem! Parecia que estava a brincar com a minha mão, exibia-se todo lá dentro para eu o sentir mexer nitidamente. Depois de tanto se espernear ficou com soluços. Sentia-se tão, tão bem!
As saudades e as recordações de sítios, de épocas, de caras, de cores e até de sabores estão sempre aqui, mais ou menos latentes, e o desejo de recuar no tempo e o agarrar-me tanto às lembranças ocupa um espaço maior do que aquele que, se calhar, deveria ocupar. Tenho medo de me tornar numa eterna insatisfeita.
Agora que, ao longo deste novo caminho, vão surgindo os tais pedaços de papel, as fotografias reveladas, bilhetes disto e daquilo, entre outras pequenas coisas que sou incapaz de não guardar, será necessário outra caixa de recordações, ou será que o passado se irá [continuar a] debater com o presente caso junte tudo na mesma caixa?
Neste mês infernal de frequências consegui aperceber-me de três escapes que me ajudam a relaxar: uma tarde inteira entrelaçada em braços fortes e de lutas a brincar (só possivel escassas vezes por semana); ver descansadamente um filme, todos os dias, antes de adormecer e fazer a minha hora e meia de ginástica diária ao final da tarde.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

segunda frequência

mal, muito mal. Motivação a evaporar. Vontade nula.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

"Que importa o lapso de tempo na realidade decorrido? Só as pessoas banais é que necessitam de anos para se libertarem duma emoção. Um homem que é senhor de si pode pôr termo a uma mágoa com a mesma facilidade com que inventa um prazer. Eu não quero estar à mercê das minhas emoções. Quero utilizá-las para as gozar, para as dominar."


[Oscar Wilde in O Retrato de Dorian Gray]

primeira frequência

e há que pensar positivo, (já) só faltam sete.
Os dois, a passear de mão dada pela rua dos plátanos e a recordar os recantos do início, onde demos os primeiros beijos timidos e a altura de quando eu fugia e ele vinha atrás. Recordar o que se passou só há três meses mas que parece que já se passou um ano.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Em contagem decrescente para a sétima ronda de frequências desde que estou na faculdade. Sete, já. Estou assustada, porque este ano a motivação não é muita e se falho agora não sei como será para me restabelecer. Raramente me permito falhar e, quando o faço, é como se me tivesse caído um pedregulho em cima, mas daqueles bem grandes. É a absolutização de valores ou a baixa tolerância à frustração, ou ambos. Depois também me assusta a falta de tempo, o contabilizar cada hora, acordar cedo, almoçar em menos de cinco minutos e não levantar a cabeça dos livros e das folhas até à hora de jantar,

enquanto penso que queria era estar a quinze minutos de casa, passar pela rua dos plátanos e encontrá-lo no fim da rua, à minha espera.



"When the night has been too lonley, and the road has been too long. That you think that love is only for the lucky and the strong. Just remember in the winter, far beneath the bitter snows, lies the seed that with the suns love, in the spring becomes the rose."


[Janis Joplin- The Rose]
O meu mar. A minha ilha.
Quatro anos depois, a mesma magnificência


The salty breeze
Blows through my hair again,
Reminding me
The way we were, my friend.
The sun turns red
And I waste my thoughts away.
Long years have passed
But I'm still writing in vain
Clouds are whipping on a pale sky
I'm walking along the pier until the night
When I will...
Turn off the lights
Drink Ballantines.
Lay on the sand
Life has no end.
Amazing sea,
Please sing to me your songs
While I sail you
On my green boat, away.
I'm out of tune
But never cared, you know...
Things that should flow,
I let them go.

[Solitude - D.B.R.]
Desde há uns tempos para cá que ando com um enorme desejo de voltar a assistir a um concerto de música clássica.

sábado, 3 de janeiro de 2009


[Autor: Pepe. Numa exposição de fotografia - ilha de Sta Maria]

Apetece-me



o meu chapéu de palha
as minhas unhas às cores
brincos espampanantes
pele morena
vestidos leves sobre o corpo
dias compridos
areia que se mete em todos os poros
gelados sem hora
sair da cama cedo porque não está frio
exibir a minha tatuagem
pôr-do-sol laranja e rosa
ter tempo para os amigos e para mim

hoje

soube-me bem adormecer em ti
e
acordar em ti